sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

A IMPORTÂNCIA DE UMA EQUIPE MOTIVADA

Motivação deve ser um lema da vida de toda pessoa. Gilclér Regina, consultor de vendas, motivação e recursos humanos, fala sobre a importância das empresas investirem na motivação de seus colaboradores.
Emprego e Renda: Dentro de um cenário profissional marcado pela instabilidade, o que um profissional deve fazer para se manter motivado? E aqueles que estão em busca de uma recolocação? 

Gilclér Regina: Acredito que o grande diferencial do ser humano é se manter motivado independentemente da situação que vive o mercado, seja de instabilidade ou de euforia. Vejo que cada pessoa tem dentro de si ou busca pelo aprendizado o talento, a educação, a inteligência, a criatividade, os incentivos, mas o que faz a vida acontecer é a motivação que cada um tem dentro de si e a atitude, isto é, a decisão que toma para seguir em frente sua vida. O que qualquer profissional tem que entender no mundo de hoje é que ele será avaliado sempre por dois momentos, isto é, pela sua capacidade técnica de trabalho, de conhecimento, e pela sua habilidade em se relacionar com pessoas. E para tanto é preciso continuar lendo, estudando a vida inteira, se atualizando e melhorar cada vez mais sua rede de contatos, isso fará uma diferença enorme.

E&R: Quais são os fatores que mais levam as pessoas a sentirem desmotivadas?

G. R.: Entendo que o mercado de trabalho é o grande complicador. A indústria mais desemprega do que emprega, o trabalho migrou para empresas de tecnologia, comunicação, prestadores de serviço, terceirizadas e nem sempre esse contingente de pessoas tem acesso a um programa de qualificação e sem qualificação não há emprego ou pelo menos um trabalho melhor e isso gera uma grande desmotivação em efeito cadeia, ou seja, se você como profissional não tem um bom trabalho ou mesmo não tem um emprego, como é que pode ficar bem dentro de casa e com você mesmo? Naturalmente vêem o medo e as pessoas acabam não acreditando nem em si mesmas. Vejo aí a falta de perspectivas no trabalho. A falta de um melhor ambiente de trabalho também contribui muito para essa desmotivação, até porque o que motiva de verdade é ter um alvo definido, saber o que se está fazendo e, a todo instante, poder remapear o caminho para uma possível mudança. E com um ambiente de trabalho bom ter a serenidade para aceitar coisas que, naquele momento, não podem mudar e a coragem para mudar aquilo que é preciso.

E&R: Como buscar motivação na vida profissional e de que maneira a empresa pode ajudar o seu colaborador a desenvolvê-la? 

G. R.:Os dois podem trabalhar juntos essa questão, o profissional e a empresa. A pessoa pode buscar ajuda de várias formas, com iniciativa própria, não se acomodando, buscando uma literatura adequada, tendo mais atitudes positivas, aumentando sua rede de relacionamentos. A empresa, por sua vez, deve investir mais em qualificação, com foco em comportamento e motivação, ajustando mais as necessidades do indivíduo com o seu negócio, a sua atividade, fazendo com que ele se comprometa, mas seja também feliz e efetivamente focado nos resultados necessários. O empresário investe 10 milhões de reais numa frota de caminhões e não investe 10 mil reais para treinar o comportamento e a atitude do motorista para com aquele patrimônio ou com a filosofia da empresa. Acaba sendo uma incoerência. O bom senso é ver que treinar dá lucro.

E&R: Quais os ‘sintomas’ de quem começa a se sentir desmotivado e o que pode ser feito para reverter esse quadro?

G. R.: Quando a pessoa passa a ser indiferente às coisas que estão acontecendo é o primeiro sintoma. Pode ser algo que está incomodando como um relacionamento conflituoso dentro ou fora da organização. Ela passa a andar cabisbaixa, se veste mal, briga por qualquer coisa ou o contrário não briga por nada, é apática, no time do "tanto faz como fez". Eu chamo isso de "depressão moral". Pessoas assim são ansiosas para a semana terminar logo, comentam com o grupo que a sexta-feira não chega nunca e ainda ficam doentes facilmente. De uma forma geral, esses sintomas são percebidos.

E&R: O que são e como funcionam os programas motivacionais adotados por muitas empresas? 

G. R.: Depende muito de empresa para empresa. Cada uma tem o seu critério. Tem empresa que realiza um culto ecumênico toda segunda-feira de manhã com participação voluntária de 99% dos trabalhadores e essa empresa figura entre as 150 melhores para se trabalhar no Brasil.  Mas esse é um critério. Tem empresa que busca o comprometimento por resultados, por qualidade de vida, por segurança e planos de saúde até para a família. O principal, que eu vejo, é que muitas pessoas não fazem o básico, isto é, não perguntam aos maiores interessados sobre o que realmente motiva. E acabam fazendo coisas básicas de forma errada, como oferecer viagens para quem precisa de coisas materiais dentro de casa e oferecem coisas materiais para quem tem de sobra em casa e gostaria de fazer uma viagem. O essencial é que os programas visem o comprometimento das equipes, que elas trabalhem resultados e que se sintam felizes e participantes de todo o processo.

E&R: Como o micro e pequeno empresário pode adotar esses métodos em suas empresas? 

G. R.: Com muita criatividade. O brasileiro é muito criativo. Primeiro tem que entender que é um mito achar que motivar pessoas custa caro, porque mais caro é ter uma pessoa desmotivada e por conseqüência, descompromissada. Vivemos de resultados e não de palavras, promessas e desculpas. A micro e pequena empresa tem um diferencial que muita empresa grande não tem, a agilidade. É nessa agilidade que ela tem que apostar, com caminhos criativos que busquem uma maior participação da equipe, que proporcione maiores e melhores resultados reforçando o ambiente de trabalho, que por ser menor torna-se até familiar com uma visão maior de resultados. É preciso acabar com o mito de que não se pode mostrar resultados finais para a equipe porque ela vai pedir aumento de salário. Se é possível desmotivar pessoas por que não é possível motivar? E como motivar alguém mascarando os resultados? Afinal, todos estão ali buscando por eles, é caminho de mão dupla. A motivação tem que vir da empresa para a equipe e a resposta da equipe certamente virá em forma de qualidade e resultados para a empresa.

Gilclér Regina é consultor de vendas, motivação e recursos humanos. Apresenta o programa ‘Motivação e Sucesso’ na Rede Novo Tempo de Comunicação, é articulista de jornais e revistas. Formado em Administração de Empresas com especialização em Dinâmica Humana pelo The National Value Center (EUA).



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